Inverteram as coisas: jornal pode dar opinião, cidadão não.
Peço licença para fazer uma denúncia. Sílvio Medeiros informou em seu blog que tentara anunciar uma campanha contra a pesquisa com células-tronco embrionárias no Correio Braziliense. Seria uma publicidade comum, paga, como qualquer outra, cuja imagem está abaixo. Mas a chefia editorial do Correio recusou, dizendo que era muito "opinativa". Os anunciantes desabafaram nesse blog e John Stuart Mill se revirou no túmulo com a desculpa esfarrapada. Quem tem de ser opinativa é mesmo a propaganda, oras. O jornal é que não. Mas mentem e fazem o leitor de otário.
O editorial do Correio, à época da primeira sessão do julgamento da ADIn contra a lei de biossegurança, já mostrou claramente sua opinião favorável à pesquisa com células-tronco embrionárias. Ótimo, editorial serve para isso. Mas as matérias, que deveriam ser imparciais, entraram no embate ao lado da chefia editorial do jornal. Nelas, o fato de o Ministro Carlos Direito ser católico tornou-se mais importante do que os argumentos -- lógicos e laicos -- dele. O debate, que é de uma lógica contra outra, dialético, virou ciência X religião -- mesmo que os argumentos religiosos fossem referidos apenas pelo lado "científico", para "rebatê-los". Tentaram rebater o que não existe para denegrir a postura adversária logo de cara, acusando-a de um obscurantismo religioso que simplesmente não estava lá. Na sociedade laica de hoje, essa estratégia é ponto ganho.
Ontem, 28 de maio, meia capa do Correio foi para escancarar a opinião do jornal. Ela estava na logomarca gigantesca, nas palavra "Esperança" que inicia o texto, e no jogo barato de sentenças, que dizia: "Ação Direta de Inconstitucionalidade contra o artigo (5º da lei), apresentada há três anos, será derrubada hoje à tarde, por 6 votos a 5 ou por 7 a 4, prevêem ministros do STF". A última oração, que esconde a tão desejada certeza pelos propagandistas do Correio, quase se apaga.
Se o editorial opta por essa posição, é escolha dele. Mas não diga que é um veículo imparcial, que faça valer a liberdade de expressão de verdade, não hipocritamente. É, a liberdade de expressão dói quando a expressão é dos outros. Numa discussão entre jornalistas e publicitários, ouvi a pérola: "Publicitários se vendem, mas pelo menos assinam contrato e expõem uma logomarca. Jornalistas se vendem, mas negam até a morte". Além de se venderem, mentem. As honrosas exceções na mídia ainda me dão esperança, mas por enquanto estão muito bem escondidas.
Isso é harpa. E isso é jazz. Louise Thomson, competidora no Harp London Competition, toca Gershwin (com trechos de Rhapsody in Blue) e Take Five, de Dave Brubeck.
Considere a função demanda de um bem normal X como Qx = Px-1/2.Py2.R3/2, onde Qx é a quantidade do bem X, Px é o preço do bem X, Py é o preço do bem Y substituto do bem X e R é a renda. Um consumidor, de renda igual a 120 unidades monetárias, estabelece uma função utilidade dos bens X e Y como U(x,y)=Qx2.Qy1/2. Considerando a derivada de Qx como dQx/dPx= -Px-3/2/2, e sabendo que a elasticidade-preço da demanda de X é constante, a probabilidade de você acertar esta questão é:
a) 0
b) 1/5
c) 1/2
d) 1/256
e) a mesma de eu fazer este concurso de novo daqui a dois anos.
Se o gabarito for "a", há um paradoxo bem capcioso.
Não chore ainda não, que eu tenho um violão
E nós vamos cantar
Felicidade aqui pode passar e ouvir
E se ela for de samba há de querer ficar
Seu padre toca o sino que é pra todo mundo saber
Que a noite é criança, que o samba é menino
Que a dor é tão velha que pode morrer
Olê, olê, olê, olá
Tem samba de sobra, quem sabe sambar
Que entre na roda, que mostre o gingado
Mas muito cuidado, não vale chorar
Não chore ainda não, que eu tenho uma razão
Pra você não chorar
Amiga, me perdoa, se eu insisto à toa
Mas a vida é boa para quem cantar
Meu pinho, toca forte que é pra todo mundo acordar
Não fale da vida, nem fale da morte
Tem dó da menina, não deixa chorar
Olê, olê, olê, olá
Tem samba de sobra, quem sabe sambar
Que entre na roda, que mostre o gingado
Mas muito cuidado, não vale chorar (...)
Se alguém ainda tem medo de seguir minhas dicas culturais lançadas a esmo, aqui vão duas sugestões mais seguras. Gosto muito desses quadrinhos e sei do que estou falando.
Eu pensava que todo mundo que passasse um tempo razoável online já conhecia o Malvados, uma tirinha de humor negro nem um pouco politicamente correto que cresceu (e muito) na web. Recentes sondagens de opinião que encaminhei mostraram que a tira ainda é desconhecida do grande público. São desenhos toscos, e não vou adocicar: você pode se ofender com algumas tiradas. Mas depois de 135 tiras, percebe-se uma grande inteligência e perspicácia, além da tremenda falta do que fazer do André Dahmer, o criador.
Para quem lê inglês, a série Order of The Stick - conhecida pelo acrônimo OOTS - é a hilária saga de um grupo de aventureiros destemidos num mundo fantástico, meio medieval, meio mágico, que se reuniram para destruir um poderoso mago morto-vivo. Qualquer semelhança com RPG é proposital: os quadrinhos são uma sátira ao famoso sistema D&D e muitas piadas são meio que internas ao público RPGístico (e idiotas para quem não é nerd). Entretanto, mesmo que não conheça lhufas de RPG, vale a pena ler. Os personagens são sarcásticos, desbocados e surpreendentemente originais. E sim, são um bando de bonequinhos de pauzinhos, daqueles que a gente desenha em guardanapo de boteco.
Gosto de arte feita na web e/ou para a web. O trabalho dos meus sonhos, que deixei há alguns anos, me permitia acompanhar muito da cultura na internet.
Por isso, se naquela época eu encontrasse algo como o Quadrinho Digital, eu ia trabalhar menos com coisas mais produtivas (leia-se escritas no meu contrato) e provavelmente seria demitido. O blog parece ser a mais completa referência brasileira em HQ na internet, mas não tive o tempo, e provavelmente nem terei, para conferir. Então, me ajudem e dêem uma olhada, se alguém ainda lê o que eu escrevo. Parece interessante, sério.